Incoerência

Vivemos no país das contradições, tendo em vista, a lógica com que as coisas acontecem corriqueiramente, principalmente quando o assunto é dinheiro público. Nem sempre o legal é moral; dentre as aberrações constatadas no que tange as ações desencadeadas pelos poderes constituídos, que deveriam salvaguardar o erário público com unhas e dentes. Infelizmente, são eles os protagonizadores dos maiores descasos, com o mesmo. Não somos contrários à modernidade, geração de emprego e renda, desde que estas inovações, aconteçam capitaneadas por recursos próprios.

Na contramão da história, a nossa egressa Casa de Leis, a Câmara Municipal de Cuiabá, publicou o aditivo de contrato com a empresa Capriata de Souza Lima e Souza Lima Ltda, para fornecimento de serviço de Buffet. Publicado pelo Diário Oficial de Contas, o legislativo cuiabano passará a gastar R$ 145.9 mil mensais com salgadinhos, sucos e refrigerantes, além de gelo cubo para refrescar as bebidas, afinal ninguém é de ferro.

Conforme consta na planilha de serviços de Buffet; o legislativo cuiabano receberá por mês cerca de 12.000 salgados sortidos, 60 sucos de frutas, 60 refrigerantes de diversos sabores e 40 pacotes de gelo cubo, isto para atender as 10 sessões mensais realizadas pela Câmara.

Agora, independentemente do valor a ser gasto com lanche para vereadores, a questão principal, está no fato do privilegio ofertado a quem já recebe um salário significativo, se comparado com a grande maioria da classe trabalhadora brasileira.

Ações de natureza intempestiva e desmedida como essa, acabam levando a população a um descrédito maior, com relação aos nossos parlamentares, que deveriam legislar em consonância com o que preconizam, não apenas os ditames da lei, como também, com a crise crucial que o país vive: política, institucional e ética, que não deixa indiferente ninguém de nós.

Pare o mundo, quero descer!

Professor Licio Antonio Malheiros é geógrafo (liciomalheiros@yahoo.com.br)