SAÚDE

Colírio pode aumentar resistência a antibióticos; diz especialista

| 12/01/2018 19:48:32

Uso indiscriminado de colírio cresce no calor e dificulta tratamentos sistêmicos

Jorge Quadros

O Brasil é um dos maiores consumidores de medicamentos do mundo. A projeção da Associação daIndústria Farmacêutica é de que em 20121 o país saia da atual  posição no ranking mundial para a posição. Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto do Instituto Penido Burnier parte dessecrescimento está relacionado ao envelhecimento que predispõe às doenças crônica. Uma delas,destaca, o glaucoma, atinge cerca de 2 milhões de brasileiros. Em 90% dos casos exige uso contínuode colírios que baixam a pressão interna do olho e evitam a perda definitiva da visão.

Mas não é  isso. Levantamento feito pelo médico em 12 mil prontuários do hospital mostra queno período do calor quatro em cada dez pacientes  chegam aos consultórios usando algum colíriopor conta própria. Não é para menos. Uma pesquisa sobre a saúde no Brasil mostra que 55% dosparticipantes deixam de comprar os medicamentos receitados por falta de dinheiro. O mesmolevantamento mostra que a automedicação para os olhos está bastante próxima aos 37% queafirmaram  ter comprado medicamentos sem receita para as mais variadas doenças. Neste grupo66% afirmaram que foram orientados por um farmacêutico, 12% por amigos ou familiares e 2%fizeram pesquisa na internet.

Resistência a antibióticos

Quando o assunto é saúde dos olhos, Queiroz Neto afirma ser um erro acreditar que determinadomedicamento vai nos levar à cura  porque algum dia nos livrou de um desconforto. “Nossoorganismo muda, as bactérias também estão em constante mutação para preservar a espécie e otratamento das doenças oculares externas deve cobrir todas estas variáveis”, comenta. Atualmente,destaca, a resistência aos antibióticos é uma das principais preocupações globais da saúde pública.

O uso indiscriminado de colírios antibióticos está criando superbactérias, adverte. “Se hoje asdoenças infecciosas são as que menos cegam no mundo todo, podem se tornar incuráveis e atéimpossibilitar o transplante de córnea no futuro”, adverte. Prova disso, e a previsão de um relatóriorecém publicado pelo governo britânico de que que em 2050 as infecções devem matar uma pessoaa cada três minutos por causa da crescente resistência aos antibióticos. Por isso, o especialistarecomenda a cada um de nós adiar este processo  usando antibióticos com prescrição médica.

Quando usar antibióticos

Queiroz Neto afirma que o calor, aglomerações, contato do olho com a água contaminada do mar episcinas aumentam nesta época do ano a conjuntivite bacteriana, conjuntivite viral e ceratite. Ossintomas dessas doenças são semelhantes>olhos vermelhos, lacrimejamento, coceira, sensação decorpo estranho, queimação, fotofobia e visão borrada. Mas os tratamentos diferem.

A conjuntivite bacteriana, inflamação da conjuntiva, membrana transparente que recobre a partebranca dos olhos e a face interna das pálpebras, tem uma secreção amarelada e é tratada comcolírio antibiótico que deve ser interrompido conforme a prescrição médica. É mais comum entrecrianças pelo maior contato dos olhos com água contaminada, mas por ser altamente contagiosarapidamente pode ser transmitida a toda família. Isso leva a um erro comum, o compartilhamentode colírio. Cada pessoa tem uma flora bacteriana e o bico dosador pode encostar no dedo ou noolho. Por isso cada pessoa deve ter o seu medicamento, como acontece com escovas de dente.

Para evitar a contaminação da conjuntiva por bactérias ou vírus as recomendações dooftalmologista são:

· Lavar as mãos com frequência.

· Evitar levar as mãos aos olhos.

· Não compartilhar colírios, toalhas, fronhas, maquiagem e teclados eletrônicos.

· Retirar a maquiagem toda noite.

Ao primeiro desconforto no olho, o especialista recomenda aplicar compressas de gaze embebidaem água morna três vezes ao dia, nos casos de secreção purulenta que indicam conjuntivitebacteriana. As compressas devem ser geladas para conjuntivite viral que tem secreção viscosa.


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