Como “Game of Thrones” desprezou Cersei na temporada final

Gabriela Mendonça | 15/05/2019 06:35:05

Maior vilã e uma das protagonistas da série, personagem se tornou coadjuvante e quase não se destacou na fase final da produção

Depois de uma saga épica que a transformou na maior série da televisão, “Game of Thrones” chega ao fim no próximo domingo (19) com uma legião de fãs com opiniões divididas em relação à temporada final. Com seis episódios, os criadores tinham a missão de cruzar as histórias dos muitos protagonistas e decidir quem, finalmente, ficaria no trono de ferro.

Quem não terá essa oportunidade é Cersei (Lena Headey), que no penúltimo episódio teve seu trágico fim ao lado do irmão e amante Jaime (Nikolaj Coster-Waldau). O fim da Rainha Má, assim como a maioria dos episódios finais, dividiu fãs e críticos de “Game of Thrones”. Sem escapatória, ela é soterrada na Fortaleza Vermelha, a mesma que ela achou que a protegeria até o fim.

Cersei é uma das protagonistas da série e Lena é uma das atrizes mais celebradas da produção, indicada a um Globo de Ouro e quatro Emmys pelo papel. Ela se tornou a principal inimiga e maior impedimento para que Daenerys (Emilia Clarke) conquistasse o trono, e foi a última dos reis a resistir aos dragões da Targaryen.

Por isso, a maneira como a personagem foi morta incomodou muita gente. “GoT” tem um histórico de  e mesmo os personagens mais odiados (Ramsey, Jofrey, Walder Frey) tiveram um fim satisfatório. Pode-se argumentar que isso é o resultado de seu enfraquecimento, que vem sendo trabalhado ao longo da série.

Antes a mulher mais poderosa de Westeros, ela acumulou inimigos, foi se isolando e perdendo aliados importantes. Não à toa Qyburn, um ex-maester, expulso da Cidadela e com índole duvidosa se torna seu principal conselheiro. Ela despreza Tyrion e exclui Jaime, desfazendo alianças importantes, forjadas com mais do que .

Outro fator é que os Lannisters têm mortes horríveis, seja seu pai no banheiro ou Joffrey em seu casamento, mas ainda assim, os momentos foram grandiosos. Ao invés disso, não tivemos um reencontro final com Daenerys, nem algum tipo de diálogo cheio de frases ácidas, como é típico da personagem.

Se a morte de Cersei foi controversa, sua participação na série em vida no último ano também deixou a desejar. Na sétima temporada ela ainda tinha cartas na manga e – apesar das suas ações terem resultado em seu destino na oitava – ainda era uma peça essencial para o jogo.

No oitavo ano, ela é descartável. Na curta temporada ela tem dois momentos memoráveis: quando cede a Euron Greyjoy (Pilou Asbæk), mesmo sem ter os elefantes que ela queria, e quando decreta a morte de Missandei (Nathalie Emmanuel) em uma última tentativa de mostrar seu poder.

Com apenas seis episódios, “Game of Thrones” preferiu usar o imenso orçamento para fazer episódios épicos, cheios de efeitos especiais e com gravações intensas, deixando de lado os pequenos momentos entre os personagens. Com isso, quem mais perdeu foi Cersei, afastada do resto do grupo e sem uma história consistente com sua trajetória até aqui. Se houver uma virada e Cersei retornar, ainda haverá oportunidade de mudar isso, mas se não, é um fim que não chega à altura da personagem e da atriz que a carregou até aqui.

Fonte: IG Gente