Resistência a Bolsonaro e "fogo a racistas" marcam shows de rappers no João Rock

Verônica Maluf | 16/06/2019 16:05:07

Rincon Sapiência e Djonga foram as grandes atrações do palco Fortalecendo a Cena no festival realizado em Ribeirão Preto, interior de São Paulo

Assim como em todo festival de música, o João Rock 2019 dedicou um de seus palcos para novidades. São aqueles artistas que são apostas do cenário musical, mas que ainda não explodiram - ou alguma coisa nessa linha, em tese, porque, na prática, sempre vai ter alguma coisa para se surpreender. O Palco Fortalecendo a Cena foi dominado por artistas da nova geração que tem se destacado e talvez não seja coincidência que todos eles estejam na linha de frente do rap.

Enquanto nos idos dos anos 2000 quando se falava em “revelações” que oscilavam entre o rock e o pop, hoje o momento é dos rappers e das batidas do funk ganharem o mundo. Temas sociais ecoam por todos eles, deixando claro a nova motivação da classe artística que está em formação. Por mais que o estilo não seja novidade em si, é notório como nomes desse universo têm feito barulho e conquistado a mídia. Foi um acerto da organização começar a programação deste palco antes dos demais dando mais abertura para que o público buscasse suas atrações.

Mesmo com uma plateia mais tímida, afinal o festival tinha acabado de abrir e o sol estava queimando alto, Rincon Sapiência começou sua apresentação com o público se escondendo do calor nos poucos espaços à sombra perto do palco. Mas em pouco tempo conquistou as pessoas que foram se aproximando e dançando com o ritmo acelerado dos versos de suas músicas que elucidam, sobretudo, questões de raça.

A dobradinha com a apresentação de Djonga, outra personalidade que tem ganhando espaço por discutir, também, questões sociais, masculinidade e racismo. Cansado, como o próprio pontuou logo que entrou no palco, ele levantou o público e desceu para a plateia - literalmente. O músico desceu do palco, pulou a grande e se juntou com quem estava assistindo o show, cantando no meio do público (para o desespero dos seguranças). Sua passagem pelo João Rock fluiu como uma conversa muito natural.

Seria ingenuidade achar que temas políticos não seriam pautados neste momento. Não somente foram entoados por diversas vezes gritos contra o presidente Jair Bolsonaro, mas houve também presença da questão do racismo. Ao final de seu show, Djonga convocou o público para pôr fogo nos racistas, encerrando sua apresentação de forma enérgica.

O restante da Fortalecendo a Cena seguiu pelo mesmo estilo musical, porém, como era de se esperar, foi ofuscada pelas atrações que dominaram o espaço principal do evento.

A última atração o palco, Filipe Ret, precisou disputar espaço com show de Emicida, Rael e Mano Brown - concorrência desleal, mas o cantor fez um bom trabalho fechando o line-up do espaço e deixando no ar a sensação de que o gênero será mais presente nos festivais de música no futuro.

Fonte: IG Gente