Ímã de problema: confusões de Conor McGregor estragam legado e imagem do MMA

Ig Esportes | 15/03/2019 07:20:04

Desde que chegou ao ápice de sua carreira e ao maior salário de sua vida na histórica luta contra Mayweather, iniciou trajetória quase que descendente

Conor McGregor chegou ao título do UFC com dois traços marcantes de imagem: a dedicação extrema e a habilidade na promoção de suas lutas. Ao mesmo tempo que ficava conhecido pelos nocautes dentro do octógono, ganhava´seguidores e fãs pela capacidade rara de tirar seus adversários do sério apenas com palavras.

Ao mesmo tempo, a ascensão da nova estrela estimulava analistas e torcedores de MMA a descobrir os bastidores da preparação de Conor McGregor: o estranho treino de movimentação com o guru Ido Portal, a repetição constante de movimentos e contra-ataques (que lhe rendeu o nocaute contra José Aldo)...

Toda uma aura que lhe elevou à categoria de ídolo mundial.

Mas isso ficou para trás.

Desde que chegou ao ápice de sua carreira — o título dos penas (66 kg) e leves (70 kg) — e ao maior salário de sua vida — na histórica luta de boxe contra Floyd Mayweather —, iniciou uma trajetória quase que descendente.

A pretexto de defender o amigo Artem Lobov, que teve uma discussão juvenil com Khabib Nurmagomedov, Conor McGregor protagonizou um lamentável episódio de violência contra os lutadores do UFC 223, em abril de 2018. Na ocasião, jogou um carrinho de câmera em um ônibus onde estavam os atletas e tirou dois deles do evento por causa dos ferimentos causados pelo vidro das janelas quebradas.

Depois, voltou a ser parte de uma confusão, desta vez após ser derrotado no UFC 229 por Khabib Nurmagomedov, em outubro de 2018. Meses de provocações, inclusive referindo-se à religião islâmica — praticada pelo russo — e à nacionalidade do atleta, foram a origem da pancadaria generalizada que maculou a luta mais aguardada do MMA naquele ano.

Assim como Khabib, o irlandês foi suspenso e pode voltar ao MMA em abril. De quebra, havia, na semana passada, cumprido o serviço obrigatório ao qual foi condenado ainda pelo ataque ao ônibus.

O contexto era completamente favorável a um retorno triunfal, afastado de polêmicas e com uma nova postura. Mas, na última segunda-feira, Conor McGregor voltou a frequentar o noticiário policial, ao quebrar um celular de um fã que tentou tirar fotos dele após o lutador sair de uma casa noturna.

Flagrado pelas câmeras de um hotel, passou pelo constrangimento de ser preso por algo tão pequeno. Ao mesmo tempo em que é considerado, pelo ranking anual da 'ESPN', o quinto esportista mais famoso do mundo, Conor restringe cada vez mais a sua fama a episódios depreciativos de sua história marcante.

Em vez de priorizar um legado como aquele atleta que elevou o MMA ao patamar de modalidade que melhor representa o mix de esporte e entretenimento, Conor McGregor vai registrando seu nome na história como um atleta mais problemático do que genial.