BURACO NA CADEIA

Governo encontra túnel em presídio onde ocorreu massacre

Jornalista Jonas Jozino | 03/04/2017 12:15:13

Em janeiro, 57 presidiários foram mortos em rebelião no Complexo Penitenciário

 
 
A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) afirmou, na manhã desta segunda-feira (3), que encontrou um túnel com aproximadamente 15 metros de extensão na cela 9, da ala 2 do pavilhão 1 do regime fechado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) - unidade onde 57 presos foram assassinados no começo do ano. De acordo com o governo, o túnel seria usado para uma fuga ainda nessa semana.

O túnel foi descoberto, no final da tarde do último domingo (2), durante uma revista preventiva após o procedimento de tranca.

A suspeita da existência de um possível túnel foi recebida por meio de um informe do serviço de inteligência, segundo informou o governo.

“Foi realizada uma vistoria nas alas do pavilhão 1, pois as informações nos indicavam apenas o pavilhão do túnel. Com o empenho das equipes da Seap, a escavação foi encontrada na última cela da ala 2”, informou o secretário de Estado de Administração Penitenciária, tenente-coronel da Polícia Militar, Cleitman Coelho, por meio da assessoria de imprensa.

A ação contou com o apoio da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) da Polícia Militar do Amazonas (PMAM).

O regime fechado do Compaj abriga detentos condenados do sistema prisional da capital. Atualmente o número de internos da unidade é de 1.009. No pavilhão 1 onde o túnel foi encontrado residem 327 internos, sendo 163 desses detentos distribuídos nas celas da ala 2.

 

O governo informou que os 12 internos que estavam na cela onde o túnel foi encontrado foram transferidos para o isolamento e irão passar por um procedimento disciplinar administrativo. A cela foi interditada e o túnel será vedado.

Entenda o caso

O primeiro tumulto nas unidades prisionais do estado ocorreu no Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat), localizado no km 8 da BR-174 (Manaus-Boa Vista). Um total de 72 presos fugiu da unidade prisional na manhã de domingo, 1º de janeiro.

Horas mais tarde, por volta de 14h, detentos do Compaj iniciaram uma rebelião violenta na unidade, que resultou na morte de 56 presos. O massacre foi liderado por internos da facção Família do Norte (FDN).

A rebelião no Compaj durou aproximadamente 17h e acabou na manhã do dia 2 de janeiro. Após o fim do tumulto na unidade, o Ipat e o Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM) também registraram distúrbios.

No Instituto, internos fizeram um "batidão de grade", enquanto no CDPM os internos alojados em um dos pavilhões tentaram fugir, mas foram impedidos pela Polícia Militar, que reforçou a segurança na unidade.

No fim da tarde, quatro presos da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), na Zona Leste de Manaus, foram mortos dentro do presídio. Segundo a SSP, não se tratou de uma rebelião, mas sim de uma ação direcionada a um grupo de presos.

Como medida para estabilizar o sistema prisional, o Governo transferiu 17 presos para presídios federais. Eles teria comandado os motins.

Após a crise carcerária, a polícia instaurou quatro inquéritos relativos aos crimes. Um deles, relativo às mortes na Vidal Pessoa, foi encaminhado ao Ministério Público. O inquérito sobre as mortes no Compaj ainda não foi concluído e a Polícia Civil não tem previsão de quando ele será enviado ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).