Ibrae anula concurso da Sedestmidh após atraso e confusão em prova

Metrópoles | 25/03/2019 09:40:18

Por meio de nota, a banca informou que em breve vai divulgar as datas do próximo exame

O Instituto Brasil de Educação (Ibrae) decidiu anular o concurso da Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal (Sedest), ou antiga Sedestmidh, realizado na manhã deste domingo (24/3). A decisão foi tomada após o atraso na distribuição das provas aos candidatos que estavam na Universidade Paulista (Unip), na 913 Sul.

Por meio de nota, o Ibrae informou que em breve vai divulgar as datas do próximo exame. No período matutino, a prova aplicada era referente às vagas de especialista em assistência social nas especialidades de direito, pedagogia, psicologia, serviço social, administração, ciências contábeis, comunicação social, economia, estatística e nutrição.

Confira a nota na íntegra:

Mais cedo, o instituto suspendeu as provas que seriam aplicadas das 14h30 às 19h. O diretor-geral da Polícia Civil do DF (PCDF), Robson Cândido, disse à coluna Grande Angular que uma investigação será aberta nesta segunda (25) para apurar as falhas apontadas pelos candidatos, que registraram ocorrências nas delegacias.

Tumulto Pela manhã, a confusão foi geral. O certame estava previsto para as 8h deste domingo, mas os candidatos que estavam na Unip só receberam as questões por volta das 9h.

Revoltados, os concurseiros ficaram nos corredores e pediram a suspensão do certame. Em imagens enviadas ao Metrópoles, é possível ver pessoas com as provas na mão discutindo as questões e tirando foto das páginas. Nos corredores, a suspeita era de que um malote tenha sido extraviado do bloco I.

Às 10h, muitas pessoas desistiram e foram embora revoltadas, com as provas em mãos. Outros problemas apontados pelos concurseiros foram a falta de detector de metais, de policiamento e falha na fiscalização. “Não tinha fiscal nos corredores nem mesmo no banheiro. O que é de praxe em todos os concursos. Foi uma bagunça generalizada”, disse o candidato Paulo Mesquita.

“A minha esposa concorre à vaga de pedagogia. Ela foi informada de que houve uma falha na entrega de um lote de provas, que não chegou à unidade. Vou ter que buscá-la pois muitas pessoas foram embora e as questões já estão na internet”, disse Carlos Eduardo Bontempo, 40 anos.

No Twitter, um candidato desabafou: “O Ibrae não tem noção o quão está prejudicando as pessoas. Não vai ter reembolso das horas que fiquei estudando, das noites em claro, dos almoços em família que perdi pra me dedicar a esse concurso.”

Um empresário que se inscreveu no certame contou que os candidatos foram informados que o atraso no começo da prova teria sido provocado pelo desvio do malote para outro prédio, onde também seria aplicada a prova pela manhã. Por volta das 9h, o material chegou, só que, revoltados, muitos concurseiros deixaram a Unip.

Quando chegaram do lado de fora, viram que concorrentes saíram com as provas antes das quatro horas permitidas pelo edital. “Uma bagunça generalizada. Não vou querer mais fazer o concurso. Quero que devolvam meu R$ 150 de inscrição. É o mínimo que devem fazer. Virou piada”, disse o empresário.

Candidatos que estavam no prédio da União Pioneira de Integração Social (Upis), na 712/912 Sul, na 912 Sul, também foram embora com as provas. O advogado Kailo Resende, 38, disse que eles chegaram a receber as questões por volta das 8h15. Pouco depois, começaram ouvir a confusão na porta da faculdade. Em seguida, a coordenadora entrou na sala em que ele estava e avisou que não precisavam continuar a responder as questões, pois várias locais não tinham recebido as folhas de respostas, “entre outros problemas”, conforme ela mesmo enfatizou.

“A gente saiu em seguida com a prova. Tem de mudar a banca”, defende o advogado, que pagou R$ 120 de inscrição para o cargo de especialista em assistência social, na categoria Direito e Legislação. Candidatos que fazem provas em outros pontos, como as unidades da Unieuro, de Águas Claras e da L4 Sul, estavam em sala de aula respondendo as questões por volta das 11h30. Muitas pessoas vieram de outros estados para o concurso.

A Polícia Militar informou que foi chamada após a notícia do suposto cancelamento da prova, mas não precisou agir. Ao todo, são 1,8 mil vagas, sendo 314 imediatas. De acordo com a secretaria, o concurso tem 53.748 candidatos inscritos: 27.297 para ensino médio e 26.451 para nível superior.

Em nota, a Secretaria de Desenvolvimento Social disse que a responsabilidade da execução das etapas do exame é do Ibrae. “Ressaltamos que, havendo falhas na execução que coloquem o concurso em risco ou quanto à sua legalidade na realização, as medidas administrativas e judiciais serão tomadas pela secretaria”, acrescentou a pasta.

Alguns candidatos procuraram não só a PCDF como disseram que também vão acionar a Justiça. O edital do concurso foi lançado em novembro do ano passado.

Em nota, o Sindicato dos Servidores e Empregados da Assistência Social e Cultural do GDF (Sindsasc) cobrou explicações do Ibrae. “Lamentamos o ocorrido, pois, para que esse concurso fosse realizado, foi necessária muita luta, com manifestações e até a greve que realizamos no ano passado”, afirma Clayton Avelar, presidente da entidade.

Locais de provaEsse não é o primeiro problema enfrentado pelos candidatos do concurso. Na última terça-feira (19), os participantes tentaram acessar o portal da banca, mas, ao preencherem o campo de e-mail e senha, receberam o informe “usuário não encontrado”.

Um grupo de aproximadamente 20 candidatos foi à sede do Ibrae para pedir esclarecimentos. No entanto, os funcionários não teriam conseguido resolver o problema. “Ficamos lá das 9h às 15h. A atendente nos informou que, na quarta [20], eles divulgariam uma listagem com o local de prova do pessoal”, contou um dos inscritos, que preferiu não se identificar.

Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social, o Ibrae informou que a situação do concurso estava regular, sem pendências. “O instituto apresentou as garantias devidas para a realização do certame”, disse a assessoria de imprensa da pasta.

Jornalista: Mirelle Pinheiro