ASSUMIU O PONTO

Viúva de verdureiro morto por médica em MT deixa emprego e assume ponto

Redação | 14/05/2018 14:36:28

Um mês após o acidente, motorista está em liberdade e inquérito não foi concluído

(Foto: Reprodução/TVCA)

A família do verdureiro Francisco Lúcio Maia, de 48 anos, que morreu atropelado pela médica Letícia Bortolini, de 37 anos, em Cuiabá, cobra punição à motorista, que responde pelo crime em liberdade. Nesta segunda-feira (14), o acidente completou um mês e o inquérito da Polícia Civil ainda não foi concluído.

Letícia Bortolini atropelou Francisco quando ele voltava do trabalho, fugiu do local do acidente sem prestar socorro, passou dois dias presa e teve a liberdade concedida pela Justiça, alegando ter um filho de 1 ano de idade para cuidar. Para a viúva da vítima, Maria do Carmo Cezário da Silva, a motorista deve pagar pelo que fez.

Desde a morte de Francisco, a rotina da família mudou. Maria do Carmo deixou o emprego de serviços gerais pra vender verduras no ponto que o marido trabalhou por 25 anos, no bairro Cidade Alta, na capital. Ela acorda às 3h para comprar verduras e revender no local, contando apenas com o apoio das filhas para manter o ponto.

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Segundo Maria do Carmo, apesar da defesa da médica afirmar que ela ia dar toda assistência necessária à família da vítima, nenhum tipo de ajuda foi oferecida. Para as filhas, há provas suficientes sobre o caso para que a Justiça seja feita.

"Quero que provem para nós, que somos menos favorecidas financeiramente, que a Justiça também é feita com os ricos", disse Francenilda Lúcio.

O acidente

Francisco Lúcio foi atropelado no dia 14 de abril deste ano, quando voltava para casa depois do trabalho. Uma testemunha teria seguido o carro do casal de médicos Letícia Bortolini e Aritony de Alencar Menezes e acionado a polícia, que fez a prisão em flagrante da motorista.

Letícia foi solta dois dias depois, devendo respeitas as seguintes medidas cautelares:

Comparecer em juízo mensalmente;
Não se ausentar da comarca sem autorização judicial;
Não frequentar bares nem consumir bebida alcoólica;
Recolher-se na residência em período noturno, feriados e finais de semana;
Não se envolver em nenhum outro acidente.

Investigação

Até o momento, o inquérito policial não foi concluído. O delegado responsável pelo caso, Christian Cabral, afirma que os exames periciais ainda não ficaram prontos e que o caso ainda pode sofrer alguma reviravolta.

Isso porque, entre os laudos aguardados, há perícias sobre o estado da vítima no momento do acidente - para saber se ela estava com a capacidade alterada em função de embriaguez ou uso de drogas e medicamentos -, sobre a velocidade em que o carro estava no momento do acidente e quem efetivamente dirigia o veículo no momento da colisão - uma vez que foi levantada a suspeita de que o marido da médica era quem estava no volante.

A médica responde por homicídio culposo qualificado, omissão de socorro e fuga do local do acidente. O Conselho Regional de Medicina (CRM-MT) instaurou sindicância para apurar o caso, mas as informações do processo são mantidos sob sigilo. Os médicos não sofreram nenhuma medida restritiva até o momento e continuam exercendo a profissão.

 
Fonte: G1

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